"A coisa ia tão silenciosa ao seu lado que talvez fosse mera imaginação. Ja estava certo disso, quando ouviu um suspiro grande e profundo. Não era imaginação! O fato é que sentiu o halito quente desse longo suspiro na mão direita.
Se o cavalo fosse mesmo bom teria arriscado tudo numa corrida desabalada. como isso não era possível, seguiu a passo, com o companheiro invisível caminhando e respirando a seu lado. Acabou não aguentando mais:
_Quem é você? - murmurou baixinho
_Alguém que esperava por sua voz - respondeu a coisa. O tom não era alto, mas amplo e profundo.
_Você é um gigante?
_Pode me chamar de gigante - disse a grande voz - Mas não me pareço com a criatura que você chama de gigante.
_Não consigo vê-lo - falou Shasta, depois de muito tentar.
Uma coisa terrivel lhe passou pela cabeça. Com a voz quase tremula de choro, perguntou:
_Você não é ... não é uma coisa morta ... é? Va embora , por favor. Nunca lhe fiz mal.
Sentiu novamente o halito quente da coisa no rosto e na mão.
_Morto não respira assim. Pode me contar as suas tristeza, rapaz.
O halito deu a Shasta um pouco mais de confiança. Contou então que jamais conhecera pai e mãe, que fora criado por um pescador muito severo. Contou sobre como fugira, sobre os leoes que os perseguiram, os perigos em Tashbaan, a noite entre os tumulos as feras que uivavam no deserto,o calor e a sede durante a caminhada, e o outro leão que surgiu quando estavam quase chegando , Aravis ferida ... Contou, por fim, que estava com fome, pois não comia nada havia muito tempo.
_Não acho que seja um desgraçado - disse a grande voz
_Mas não foi falta de sorte ter encontrado tantos leões?
ó ha um leão - respondeu a voz.
_Não estou entendendo nada. havia pelo menos dois naquela noite ...
_ Só ha um leão, mas tem o pé ligeiro.
_Como sabe disso?
_Eu sou o leão.
Shasta escancarou a boca e não disse nada. a voz
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